Muitas pessoas chegam à terapia com queixas que, à primeira vista, parecem inteiramente suas — formas de reagir, padrões de relacionamento, crenças sobre si mesmas. Com o tempo, o trabalho terapêutico revela que boa parte dessas questões tem raízes na história familiar.
O que herdamos das nossas famílias
Não herdamos apenas genes. Herdamos formas de se relacionar, de resolver conflitos, de expressar emoções — ou de não expressá-las. Herdamos crenças sobre o que é possível, sobre o que merecemos, sobre como o amor funciona.
Uma criança que cresceu em uma família onde conflito era evitado a qualquer custo pode se tornar um adulto que tem dificuldade de colocar limites. Uma criança que via os pais se criticando constantemente pode internalizar uma voz interna muito autocrítica.
"Não somos prisioneiros da nossa história familiar — mas precisamos conhecê-la para não repeti-la sem perceber."
Repetição e diferenciação
Na Terapia Sistêmica, falamos em lealdades familiares — a tendência de repetir padrões da família de origem, mesmo quando conscientemente queremos ser diferentes. Isso não é fraqueza: é uma força poderosa que opera, em grande parte, fora da nossa consciência.
O trabalho terapêutico não é apagar a história — é desenvolvê-la com mais consciência. Entender o que foi transmitido, reconhecer o que faz sentido manter e o que se quer transformar.
O que muda com esse olhar
Quando alguém começa a entender os padrões familiares que carrega, algo importante acontece: aumenta a compaixão — por si mesmo e pelos próprios pais. Não porque tudo é perdoável, mas porque se compreende que eles também carregavam o que receberam.
E nesse espaço de compreensão, escolhas mais conscientes se tornam possíveis.
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Falar com psicólogoClademir Bohnenberger · CRP 07/44406
Psicólogo clínico com especialização em Terapia Sistêmica. Atende adultos e casais em Porto Alegre, Viamão e online.